Grito do Silêncio

“Dia!”

A saudação de hoje é nada mais, nada menos que um recado velado. É assim que o povo que mais rala nessa terra brazilis saúda companheiros, chefes, moças prendadas e não prendadas, e até o padre da região. A saudação em si, letra após letra não diz muito. Mas em silêncio diz muita coisa. Ela não diz que o dia está bom, que está ruim, apenas que é dia. Deixa a entender que o dia é aquilo que se faz dele, é o que importa. O fato de cumprimentar a todos da mesma maneira não é prepotência, e sim saber que cada um tem sua função a cumprir, seus objetivos e responsabilidades. Finalmente, fala sem precisar descrever, que acordou cedo, e que assim como aquele que cumprimenta, não tem muito tempo a perder na prosa, e quem dá explicação demais é porque deve muito.

Esse mesmo trabalhador não tem poderio, nem posses, nem sucesso. Tudo aquilo que ganha ele leva para casa e comemora internamente a vitória de mais um dia, e isso acontece todo dia. Se ele não consegue, ele tenta, ardorosamente.  E se não grita de felicidade por dentro, grita de raiva, grita de vontade ou de dor, porque sabe que isso não precisa ser externado, se ficar dentro dele alimenta os sonhos, alimenta a gana de conquistar o que quer. Também não precisa ser externado porque como disse antes, não tem sucesso suficiente para que alguém queira ouvir esses gritos…

Nesse momento, alguém me interrompe e fala, “tá, ok! Mas e daí, porque tá falando isso tudo?”

Simples, os astros e/ou falsos astros, da gávea caindo aos pedaços, esqueceram como é se sentir assim. E falta gana. Grana, que seria a mesma palavra com o R de R$ eles têm demais.  E o Flamengo age como se tivesse mais ainda. O Flamengo tem dinheiro para ter jogador no elenco que não entra na escalação a mais de 2 meses, ou seja, paga um salário pra cima de 1oo mil para o cara frequentar o clube. Peladinha de manhã, spa completo à tarde, sala de musculação, vestuário completo e sucesso garantido. Diga aí se na sua empresa você teria funcionário na folha, cargo chique e salário top, que não fosse requisitado para tarefa nenhuma e ainda usufruisse de mesa própria, notebook última geração, secretária gostosa e carro com motorista. Responde aí Roberto Justus! Você está Demitido!!!!!!!

O Flamengo é o chefe que não cobra, que não vende e que não produz, é a organização que não precisa de lucro, que não evolui, que não se valoriza, e acima de tudo se acha o melhor lugar do mundo. Chegamos à Terra do Nunca.

O Flamengo precisa entender o que significa compromisso. Essa palavra foi esquecida na Gávea. A palavra de ordem lá hoje é omissão.  O melhor artista ao fazer um show, mesmo com 40 anos de carreira, se beber todas e não conseguir cantar, VAI SER VAIADO, PERDER O PÚBLICO e, se bobear, vai ter que DEVOLVER O DINHEIRO. É assim que funciona. Eles têm empresários, que negociam apresentações, os melhores lugares, os melhores equipamentos, e que negociam propagandas e marcas para eles representarem.  Os empresários de futebol, na teoria fariam o mesmo trabalho, mas para outro segmento. No caso do artista, se ele falta ao show (leia-se treino) ou faz cagada no palco (leia-se chinelinho, pancadeiro, fominha e todos os outros) ele se fode… no caso do jogador de futebol, especificamente falando no Flamengo, nada acontece! (Já imaginou esses caras tendo que devolver nossa grana por cada apresentação ridícula como as que cada vez mais frequentemente temos que acompanhar?)

Mantendo a linha de raciocínio, mas sendo mais claro:

O jogador de futebol está na indústria do entretenimento, essa é a verdade. É como um músico, por exemplo, para ser alguém único, ou ao menos acima da maioria, ele tem que ter performances memoráveis quando tem chance, cumprir com sua agenda, tratar bem seus fãs, ir aos ensaios da banda, ir aos shows, e principalmente, acima de tudo, respeitar aqueles que lá o colocaram. Você enxerga esse cara hoje no Flamengo?  É uma boa forma de caçar quem vale a pena lá dentro. Quem é o bom funcionário? Porque na real, é isso que eles são, funcionários. Entretenimento, negócio. E tudo isso é muito bem remunerado.

Esqueçam a fama, a história, porque como disse anteriormente, não é mais o Flamengo que fala por nós, hoje em dia somos nós que falamos por ele. Quem está para trás nessa mesma história sempre soube disso, mas nunca colocou dessa forma. Utilizava a política do “Dia!” para chegar lá. Hoje moram na lembrança, no coração e na saudade de todos nós.

Para finalizar, uma dúvida: Será que quando se citou que o Flamengo deveria se tornar empresa era disso que estavam falando, e não o que o senhor Delair (eu não preciso de patrocínio e o Flamengo não está à venda) “Dumbo” entendeu? Eu acho que sim hein? Mas quem sou eu…eu não entendo nada.. me tornei cego, surdo e mudo para coisas estampadas na minha cara. Eu grito de dor, de amor, de raiva e de felicidade pra dentro, para ter gana para ganhar a gRana.

Mas isso cansa. Então é melhor eu parar por aqui, porque como os raladores desse Brasilzão que amo, eu amanhã digo “Dia!” e vou em busca do meu. Quem sabe um dia meu Flamengo cobre isso de quem esta lá, ou quem está lá lembre de cobrar isso de si mesmo.

Deixe um comentário

Nenhum comentário ainda.

RSS Comentários URI identificador de trackback

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.