Esse é um conto, que como toda boa historinha, tem um fundo de verdade e uma lição de moral.
“Era uma vez o Imperador “Adiando”, que um dia desenvolveu uma inexplicável afeição por uma bola de canhão. O Imperador já tinha se machucado com ela, sabia que ela só funcionava com fogo na traseira, que ela já tinha ferido vários outros ingênuos soldados que tentaram manuseá-la, mas mesmo assim não aprendeu. Joana, (apelido meramente ilustrativo para a bola de canhão) era seu calcanhar de aquiles. Vários conselheiros vieram ao seu Imperador, suplicar por sua compreensão. Lhe mostravam que a história conta que guerras são ganhas nas trincheiras, com o suor do corpo e a dedicação ao objetivo. Diziam corretamente também, que a bola de canhão parecia dar poder, claro, ela era imponente, indomável e perigosa, e que por ser tão complicada, Joana dava a impressão de ser feita somente para o mais poderoso.
Assim, os leais súditos, conselheiros e dependentes da corte entendiam a paixão do Imperador Adiando por ela, mas estava claro que ela era um problema, algo que ele teria que carregar sempre consigo, já que existia o risco de um dia ela ser usada contra ele, e dado seu poder de destruição, isso iria virar uma distração, talvez até uma obsessão, tirando desse Imperador a grande chance de se destacar na maior das guerras, que estava por vir.
O Imperador Adiando no fundo, era um homem de bem. Conquistou seu espaço apoiado pela maior das forças, a família. Ganhou novos impérios, depois de ter sido apenas um grande soldado desengonçado. Ao perder seu pai, o Imperador Adriano não só perdeu um de seus maiores incentivadores, perdeu também um de seus medos, o de decepcionar quem o ama. Seus súditos importavam pouco, sua nação, tampouco, sua grande guerra menos ainda. Naqueles dias só quem importava era Joana Bola de Canhão.
Mal sabia o Imperador Adiando, que ele andava adiando a pior das constatações, a de que se caso seu pai estivesse por perto, mesmo camponês, o tiraria daquela postura tão defensiva e tão digna de pena aos solavancos, mesmo ele sendo apenas um camponês e Adiando o grande Imperador. Esse camponês o diria que não adianta querer que as pessoas ruins não existam. De que no fundo, elas não são ruins, são verdadeiras e, que ele andava parecendo fraco, infantil e indigno de sua realeza. Que no mundo real, quem quer ser Imperador não pode pedir descontos, compreensões, ou dizer que o mundo é muito mal. O diria que ele se enganava ao pensar que daria para por na conta do mundo aquilo que nós gastamos. Diria em resumo, para voltar a ser macho e deixar de frescurinha que isso era coisa de donzela. Depois de dizer, colocaria o grande Imperador no colo e lhe desceria a lenha com ferro quente de moldar ferradura, para que ele nunca mais esquecesse disso. Coisa que pai ou quem gosta da gente faz de verdade. Na hora dói, depois passa e a gente aprende. O Imperador voltaria a ser o mesmo. Ah se não voltaria.
Pena que o Imperador Adiando não tinha nada disso. Quem se dizia seu conselheiro, seu alternativo pai, não tinha pulso para lhe dizer que a grande guerra estava cada vez mais longe, tinha medo de ser jogado aos leões. Quem fazia parte de seu exército não queria se meter, no final, todo mundo quer ser Imperador, e se o Imperador não estava mais dando conta, alguém sentaria em seu lugar. Quem se dizia seu amigo, só lhe dava pão quente, ópio e vinho forte da taverna, e o Imperador seguia lento,cada vez mais fraco, mas bem alimentado e se achando amado.
Mais pena ainda, quem nem para bom nem para ruim, o Imperador não percebia nada disso, ele só tinha olhos para a Joana, sua bola de canhão.
O tempo passou, e para Grande Guerra ele não foi. Seu povo o odiou por isso. Todos gostariam da chance de representar sua nação. Não foi à Guerra Intercontinental, e começou a perder as batalhas para as rebeliões de sua própria terra, sedentas pelo sangue do já derrotado mas nao destronado Imperador.
Um dia, perdeu seu posto para outro jovem de seu batalhão. Um jovem que não tinha loucuras por nenhuma bola de canhão.
Falando nela, bem antes disso, a bola de canhão, Joana, se foi, rolando atrás de outro grande e iludido poderoso. Dito e feito aqueles tão desconsiderados alertaram. Hoje o Imperador Adiando não se arrepende.. mas também não esboça nenhuma reação, ficou catatônio depois das agressões verbais daquele povo tao mau. Que pena Imperador Adiando.. você poderia ter tido tudo… e tudo se foi.. juntinho com a bola de canhão, que foi a única nessa história a ser feliz pra sempre.”
Engraçado.. nunca tinha ouvido esse conto, mas acordei com ele na cabeça, não sei porque. Alguém conhece?
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